Valor das casas força queda no IMI
O Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o Imposto Municipal sobre Transacções (IMT) estão a ser cobrados sem levar em conta a desvalorização das casas. Há três trimestres consecutivos que o valor dos apartamentos está a cair, de acordo com o inquérito junto da Banca, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mas o valor de referência para a cobrança do IMI já supera os 6oo euros o m2, e tem vindo sempre a ser actualizado desde 2003, altura em que o IMI substituiu a Contribuição Autárquica.
Fiscalistas, proprietários e mediadores imobiliários defendem que aqueles impostos 'têm de acompanhar a descida do valor das casas'. Só na Zona Centro, o valor das moradias caiu 7,4 por cento, enquanto os apartamentos registaram uma descida média de 1,4 por cento no último trimestre.
Os valores de 2003 do IMT foram definidos 'no pressuposto da valorização progressiva das propriedades, mas desde há dois anos que os preços se têm vindo a depreciar', sublinha António Frias Marques, da Associação Nacional de Proprietários. Nesse sentido, a associação defende 'uma revisão que ajuste estes valores à realidade'. Tal como os do IMI, que têm 'registado aumentos brutais'.
Já o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária defende a abolição do IMT. 'Trata-se de uma dupla tributação, pois no preço das casas já está incorporado o IVA', considera José Eduardo Macedo.
Por outro lado, sublinha o dirigente, 'o imposto é um factor especulador do Estado, uma vez que sempre que o imóvel é transaccionado ele paga o IMT, ou seja, em média, três a quatro vezes ao longo de 30 anos', explica.
Correio da Manhã em 26-05-2008