Crédito para casa só com poupançasOs bancos estão a apertar as regras para o acesso ao crédito à habitação, mesmo num contexto em que as taxas de juro (Euribor) continuam a baixar. E não são só os spreads que estão mais elevados, já exigem mesmo que quem queira comprar casa tenha um pé-de-meia: entre dez e 15 por cento do valor do imóvel.
Os bancos já não financiam a cem ou mesmo a 110 por cento a compra de imóveis, como acontecia nos anos 90. As precauções na concessão de crédito não são de agora, mas começaram a agravar-se no início de 2008 e foram-se acentuando ao longo do ano.
"Actualmente, já exigem um capital inicial entre dez e 15 por cento", explicou ontem Manuel Alvarez, responsável da Remax, valores confirmados ao Correio da Manhã por outras fontes do mercado.
Além desta restrição, o Banco de Portugal enumera um vasto conjunto de meios que reflectem esse agravamento: encurtamento da maturidade dos novos contratos, a redução dos montantes concedidos e do rácio entre o valor do empréstimo e da garantia, uma maior exigência quanto às garantias solicitadas, maiores comissões e outros encargos não-relacionados com as taxas de juro e a imposição de outras condições contratuais não-pecuniárias (covenants) mais apertadas. As razões para esta situação são várias: por um lado, porque não há expectativa de valorizações rápidas, por outro, devido à crise financeira internacional.
"O dinheiro que os bancos emprestam não é seu, vão buscá-lo a fundos espalhados pelo Mundo. Essas entidades só emprestam se houver um diferencial entre o valor da avaliação e do empréstimo que ronde os 15 a 20 por cento", sublinha José Eduardo Macedo, presidente da APEMIP.
Face a este agravamento nas condições de acesso ao crédito, quem precisa de uma habitação está a voltar-se para o mercado de arrendamento. A maior cadeia de imobiliárias em Portugal, a Remax, registou um crescimento de 48 por cento nos arrendamentos, o que representou cerca de sete por cento na facturação da empresa.
Correio da Manha em 06-01-2009