Taxas de juro da habitação sobem 12,5% num ano
Crédito à habitação. Mais uma vez, o mês chega ao fim e as notícias não são boas para quem tem um empréstimo à compra de casa. As prestações vão subir, com as taxas Euribor a registarem os valores médios mensais mais altos desde a sua criação. Mas já se nota uma desaceleração neste aumento.
Euribor a seis meses mais do que duplica em 3 anos
As taxas de juro usadas para os empréstimos à compra de casa voltaram a subir em Agosto, agravando as revisões de taxa e as novas contratações a realizar em Setembro. No espaço de um ano, o principal indexante usado no mercado português, a Euribor a seis meses, subiu 12,5%, registando um valor médio de 5,160% no mês que agora termina.
Este aumento traduz-se num agravamento anual de 55 euros ou mais 6%, num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread de um ponto percentual, de acordo com uma simulação feita pelo DN. Há um ano, a taxa de juro indexada à Euribor a seis meses, acrescida de um ponto de margem, situava-se nos 911,70 euros (com encargos). Para os novos contratos a realizar em Setembro próximo, a mesma taxa é de 6,610% e a prestação passa para 966,81 euros.
A subida dos juros registou, no entanto, uma desaceleração na sua escalada ao longo do mês de Agosto. Face a Julho, a Euribor a três meses registou um ligeiríssimo aumento de 0,4%, para os 4,965%, enquanto a de seis meses apresentou um aumento de 1,4% face ao mês anterior. Já a Euribor a 12 meses, pouco usada em Portugal como indexante, saldou-se mesmo numa redução de 1,2% face a Julho. Um sinal de que o mercado interbancário prevê valores mais baixos dentro de um ano.
No entanto, as taxas Euribor de Agosto apresentam o valor mais alto desde a sua criação, em 1999. Além do crescimento homólogo da Euribor a seis meses de 12,5%, também a a mesma taxa para o prazo de três meses aumentou 9,5%, face a igual mês de 2007, enquanto o mesmo indexante a 12 meses subiu 14,2%.
Desde que iniciou o seu ciclo de subida, em Setembro de 2005, a Euribor a seis meses já subiu 135%, passando de uma média de 2,16%, o valor mais baixo de sempre, para os actuais 5,160%.
À escalada de três anos de juros, a que os portugueses já se habituaram, há a acrescentar o agravamento das actuais condições de acesso ao crédito, por parte dos bancos, que se traduz numa subida dos spreads praticados.
Face à crise financeira, hoje em dia dificilmente se consegue contratar um novo empréstimo para a compra de casa com uma margem financeira (spread) abaixo dos 1,5 pontos percentuais, quando, há pouco mais de um ano, era possível contratar com um spread de 0,5 pontos ou mesmo menos. Um agravamento que não penaliza apenas quem foi contrair um novo empréstimo, mas também os consumidores já com créditos que queiram rever em baixa a sua margem.
DN em 30-08-2008

