sábado, 30 de agosto de 2008

Taxas de juro da habitação sobem 12,5% num ano

Crédito à habitação. Mais uma vez, o mês chega ao fim e as notícias não são boas para quem tem um empréstimo à compra de casa. As prestações vão subir, com as taxas Euribor a registarem os valores médios mensais mais altos desde a sua criação. Mas já se nota uma desaceleração neste aumento.

Euribor a seis meses mais do que duplica em 3 anos

As taxas de juro usadas para os empréstimos à compra de casa voltaram a subir em Agosto, agravando as revisões de taxa e as novas contratações a realizar em Setembro. No espaço de um ano, o principal indexante usado no mercado português, a Euribor a seis meses, subiu 12,5%, registando um valor médio de 5,160% no mês que agora termina.

Este aumento traduz-se num agravamento anual de 55 euros ou mais 6%, num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread de um ponto percentual, de acordo com uma simulação feita pelo DN. Há um ano, a taxa de juro indexada à Euribor a seis meses, acrescida de um ponto de margem, situava-se nos 911,70 euros (com encargos). Para os novos contratos a realizar em Setembro próximo, a mesma taxa é de 6,610% e a prestação passa para 966,81 euros.

A subida dos juros registou, no entanto, uma desaceleração na sua escalada ao longo do mês de Agosto. Face a Julho, a Euribor a três meses registou um ligeiríssimo aumento de 0,4%, para os 4,965%, enquanto a de seis meses apresentou um aumento de 1,4% face ao mês anterior. Já a Euribor a 12 meses, pouco usada em Portugal como indexante, saldou-se mesmo numa redução de 1,2% face a Julho. Um sinal de que o mercado interbancário prevê valores mais baixos dentro de um ano.

No entanto, as taxas Euribor de Agosto apresentam o valor mais alto desde a sua criação, em 1999. Além do crescimento homólogo da Euribor a seis meses de 12,5%, também a a mesma taxa para o prazo de três meses aumentou 9,5%, face a igual mês de 2007, enquanto o mesmo indexante a 12 meses subiu 14,2%.

Desde que iniciou o seu ciclo de subida, em Setembro de 2005, a Euribor a seis meses já subiu 135%, passando de uma média de 2,16%, o valor mais baixo de sempre, para os actuais 5,160%.
À escalada de três anos de juros, a que os portugueses já se habituaram, há a acrescentar o agravamento das actuais condições de acesso ao crédito, por parte dos bancos, que se traduz numa subida dos spreads praticados.

Face à crise financeira, hoje em dia dificilmente se consegue contratar um novo empréstimo para a compra de casa com uma margem financeira (spread) abaixo dos 1,5 pontos percentuais, quando, há pouco mais de um ano, era possível contratar com um spread de 0,5 pontos ou mesmo menos. Um agravamento que não penaliza apenas quem foi contrair um novo empréstimo, mas também os consumidores já com créditos que queiram rever em baixa a sua margem.

DN em 30-08-2008

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

'Spreads' em alta agravam prestações

A banca aperta o acesso ao crédito à habitação. O risco aumenta e a margem a aplicar sobre a Euribor sobe, levando juros finais ao máximo em 11 anos.

A banca está a aumentar os spreads do crédito à habitação. Depois da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium bcp e Banco Espírito Santo (BES) terem colocado os seus valores máximos nos dois pontos percentuais e até acima, foi agora a vez de o Santander Totta e Banco BPI subirem os seus spreads.

Além da subida dos juros, com as Euribor a atingirem os valores mais altos de sempre, os portugueses contam com o aumento simultâneo da margem financeira cobrada pela banca, agravando duplamente a prestação a pagar por quem for contrair novo empréstimo à habitação.

Assim, tendo em conta as taxas Euribor a seis meses aplicadas no mês de Agosto, e com um spread máximo de 2,55 pontos - praticados pela CGD, que tem a margem máxima mais alta -, os portugueses com maior risco para a banca só vão conseguir contrair um novo empréstimo com uma taxa de 7,698%. Este é o valor mais alto desde Setembro de 1997, quando as taxas do crédito à habitação ainda eram indexadas à Lisbor (antecessora da Euribor).

O Santander Totta reviu igualmente em alta o seu valor mais alto, que passou de 1,95 para 2,35 pontos. O Banco BPI também subiu o seu spread, dos anteriores 1,7 para 1,82 pontos. Ainda assim, continua a ser o valor máximo mais baixo entre os cinco grandes bancos nacionais. Tanto o Millennium bcp como o Banco Espírito Santo (BES) já praticam spreads máximos acima dos dois pontos percentuais.

No que respeita às margens mínimas praticadas pela banca nos contratos de crédito à habitação, estas encontram-se nos 0,35 pontos percentuais, o que coloca a taxa mais baixa que se consegue negociar este mês nos 5,2 e 5,4%, respectivamente indexada à Euribor a três e a seis meses.

Tanto os spreads máximos como os mínimos aplicam-se a um baixo número de clientes.

DN em 08-08-2008
Prestação da casa mais cara

O Banco Central Europeu manteve a principal taxa de juro da Eurolândia nos 4,25 por cento ontem, dia em que a euribor a seis meses atingiu um novo máximo (5,167 por cento) desde Novembro de 2000. Significa isto que as famílias portuguesas com contratos de empréstimos para a compra de casa vão pagar prestações mensais mais caras.

O presidente da autoridade monetária europeia, embora reconheça o abrandamento económico dos países que utilizam a mesma moeda, deu a entender que a taxa de juro directora pode subir 25 pontos de base, para 4,5 por cento, no próximo mês.

Segundo Jean-Claude Trichet, ocrescimentodospreçosestá a níveis "preocupantes" no corrente ano.

Em Julho de 2008, a média da taxa de inflação dos países do euro foi de 4,1 por cento, o valor mais elevado dos últimos 16 anos.

Recorde-se que o Banco Central Europeu determina o limite de dois por cento para a subida da taxa de inflação. E Jean-Claude Trichet frisou, na conferência de imprensa após a reunião do conselho de governadores do BCE, que "a estabilidade dos preços é a missão prioritária".

Acrescentou que o BCE se mantém atento à taxa de inflação e que tomou a decisão certa ao subir de quatro para 4,25 por cento, no mês passado, a principal taxa de juro da Eurolândia.

Esta semana, reuniram-se também os responsáveis da Reserva Federal dos Estados Unidos da América e do Banco de Inglaterra, que mantiveram as taxas de juros inalteradas.

Na maior economia mundial, o custo do dinheiro é de dois por cento. No Reino Unido, apesar do risco de recessão económica, a taxa de juro de referência continua nos cinco por cento.

Correio da Manha em 08-08-2008

200 mil imóveis sem comprador

Em Portugal existem 200 mil imóveis usados que estão sobreavaliados e, por isso, não encontram comprador.

De acordo com o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária em Portugal (APEMIP), José Eduardo Macedo, estas casas não são vendidas porque os proprietários pedem preços relativamente próximos dos valores a que são vendidos os imóveis novos.

Para José Macedo, as pessoas querem vender os imóveis usados pedem valores mais elevados, porque quando contraíram empréstimo pediram crédito para mobilar a casa, ou até mesmo comprar carro, e ainda não os amortizaram.

Correio da Manha em 07-08-2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Prestação da casa mais cara


As taxas Euribor fecharam Julho num novo máximo histórico, impulsionando as despesas com créditos à habitação


As famílias portuguesas vão continuar a sentir os efeitos da crise financeira na Zona Euro nas prestações da casa. As taxas Euribor continuam a sua escalada histórica e, no mês de Julho, voltaram a registar o valor mais alto de sempre em todos os prazos.


As taxas Euribor a seis meses - as mais utilizadas nos créditos à habitação mais antigos em Portugal - fecharam o mês de Junho nos 5,156%, fixando a média do mês nos 5,148%. Uma subida face à média de 5,088% de Junho e uma progressão vincada face aos 4,326% de Fevereiro. O que significa que, nos contratos com base em revisões semestrais, as prestações vão voltar a subir.


Em termos genéricos, um empréstimo de 150 mil euros a 40 anos, com um spread (diferencial de lucro da banca) de 0,7%, representará uma subida da prestação da ordem dos 26 euros desde o início deste ano. Isto se a revisão semestral tiver ocorrido este mês. No espaço de um ano, a prestação já está 110 euros mais cara, neste caso. Obviamente, esta simulação não é extensível a outros créditos, cujas condições podem adulterar os valores.


O cenário pode, contudo, piorar para todos os créditos. Isto porque os analistas antecipam novas acelerações da Euribor no curto prazo. E alguns admitem mesmo que a escalada chegue a 6%, embora de forma mais lenta que nos últimos dois meses. O BCE continuará a sentir a pressão da inflação para manter ou, numa situação mais grave, subir adicionalmente as taxas de juro. Por outro lado, os bancos continuam sem confiança para emprestar dinheiro entre si.


Assim, é previsível nova subida dos incumprimentos nos créditos, que nos últimos meses têm vindo a crescer, ainda que de forma ligeira, segundo as contas dos bancos.


DN em 01-08-2008