quinta-feira, 10 de julho de 2008


Taxa fixa controla subida nos juros

A Banca está a recuperar a taxa fixa no crédito à habitação como forma de aliviar os encargos das famílias com a subida dos juros. Neste sentido a Caixa Geral de Depósitos (CGD) acaba de lançar uma oferta de taxa fixa a cinco anos com um "prémio" de 0,25 por cento sobre o indexante (euribor a seis meses).

Com esta oferta, o objectivo do banco do Estado é antecipar uma descida dos juros, permitindo que as famílias possam beneficiar já de uma prestação mais baixa. Contas feitas pela CGD, para um empréstimo de 200 mil euros a 50 anos com um spread de 0,6 por cento (prestação de 1007 euros por mês), a adopção da taxa fixa por cinco anos com "desconto" de 0,25 por cento permitiria uma poupança de 36 euros por mês.

A oferta é válida para todos os empréstimos em vigor e a mudança custa 100 euros a cada cliente.

Confrontada com a nova oferta da CGD, a concorrência está a estudar formas alternativas de aliviar o peso dos juros no orçamento das famílias reforçando a oferta em taxa fixa. O Banco Espírito Santo (BES), que foi dos primeiros a lançar a opção de taxa fixa (oferecendo no início de 2007 uma taxa de 4,05 a cinco anos), está agora a estudar uma actualização daquela oferta.
O Millennium BCP e o Santander mantêm a sua oferta de taxa fixa, com o banco de Santos Ferreira a oferecer a opção por dois, cinco, dez, vinte e trinta anos, e a instituição liderada por Nuno Amado a oferecer uma taxa a cinco anos (euribor a três e seis meses) mais spread.

CASAS VALORIZAM 3,6% EM DEZ ANOS

Os responsáveis da CGD consideram que haverá ainda um reajustamento dos preços no imobiliário, mas "menos dramático" do que no resto da Europa. O banco do Estado fundamenta esta opinião no relatório da Morgan Stanley, que compara os preços das casas em Portugal com os restantes países da União Europeia e que dá conta de uma valorização média de 3,6%.

Correio da Manha em 10-07-2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Prestações da habitação sobem 25% num ano

Julho começa com nova subida nas taxas dos empréstimos à compra de casa. Para os novos contratos, os juros só se negoceiam a partir de 5%, o valor mais alto desde Novembro de 2000.

Quem já está a pagar um crédito, prepare-se para nova revisão em alta da sua prestação.
As más notícias não param para quem tem crédito à habitação. As taxas Euribor, indexantes usados no cálculo dos juros dos empréstimos, não abrandam a sua escalada e fecharam o mês de Junho aos valores máximos desde Novembro de 2000. Num ano, os portugueses pagam mais 25% de prestação pelo mesmo empréstimo.

A Euribor a seis meses, o indexante mais usado em Portugal, registou um valor médio de 5,088% no último mês, ultrapassando a barreira dos 5% depois de há já vários dias se fixar acima daquele valor (ontem fechou nos 5,130%).

Assim, no espaço de um ano, aquele indexante subiu 18,7%, subida idêntica à verificada nas outras taxas Euribor usadas no crédito à habitação. Este indexante no prazo de três meses fechou Junho com um valor médio de 4,940% e a de 12 meses nos 5,361%.

Quem há um ano fosse contrair um novo crédito, com a Euribor a seis meses nos 4,283%, alcançaria uma taxa de 4,783%, beneficiando de um spread de 0,5 pontos percentuais. No mês que hoje começa, com a Euribor a seis meses nos 5,088% e com a subida generalizada dos spreads por parte de todos os bancos, a mesma família conseguiria negociar uma margem de 1,5 pontos, o que coloca a sua taxa final nos 6,588%.

Para um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, tal significa que a prestação passa dos 785,46 euros pagos em Julho do ano passado, para 982,80 euros actualmente, ou seja, uma subida de 197 euros, mais 25% num ano.

Se a situação pode ser assim exemplificada para os novos empréstimos, para quem já tem crédito à habitação as constantes subidas dos últimos meses vão agravar a prestação, à data da sua revisão.

A subida das Euribor resulta, assim, entre outros aspectos, do clima de expectativa vivido em torno de que o Banco Central Europeu (BCE) vai subir as suas taxas na próxima quinta-feira.

Novo cálculo sem impacto

Nem a entrada em vigor, desde ontem, da nova fórmula de cálculo dos juros irá alterar significativamente o agravamento das prestações. A mudança para a base dos 360 dias - que obriga os bancos a dividir a taxa por 360 dias, ao contrário de multiplicar primeiro por 365 dias e só depois dividir por 360 dias, como faziam anteriormente - foi sendo assimilada pelos bancos, que já se adaptaram antecipadamente.

Quando, no início do ano, o Governo anunciou estas novas regras, os bancos que ainda não as seguiam fizeram as suas adaptações e já as praticavam antes da entrada em vigor. Por outro lado e num quadro de subida dos juros, qualquer vantagem para o consumidor foi absorvida pela subida dos juros, que ditou aumentos nas prestações.

Diário de Noticias em 01-07-2008