quarta-feira, 29 de abril de 2009

Malparado baixa valor das casas

As casas valem actualmente bem menos do que há um ano. Com o mercado imobiliário a absorver os efeitos da crise, nos primeiros três meses do ano as habitações sofreram uma desvalorização de quase 6% face a igual período de 2008. Cada metro quadrado vale hoje menos 70 euros do que em Março do ano passado.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor médio da avaliação bancária caiu 5,8% para os 1149 euros/m2, sendo o Algarve a região mais afectada: o valor das casas desceu 9,9% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, o equivalente a uma redução de 153 euros no preço do valor do metro quadrado.

Para Jorge Garcia, director comercial da Era Imobiliária, a descida resulta "do ajustamento entre a oferta e a procura". "Mesmo com a crise, a oferta aumentou", explica o responsável, adiantando que "tem entrado no mercado muitas casas provenientes do malparado", a que se juntam "muitos imóveis usados de pessoas que vendem a casa porque sentem dificuldade em pagar os empréstimos". A somar a estes factores, "a procura diminui, resultado do grande condicionamento no acesso ao crédito". "O ajustamento faz com que os preços caiam", explica Jorge Garcia. Em termos práticos, avança, "temos assistido a uma queda de 10% no preço das casas".

Segundo o INE, a redução fez-se sentir tanto no valor médio das moradias como no dos apartamentos. Ao nível nacional, o metro quadrado nos apartamentos passou a valer menos 71 euros e no Algarve menos 167 euros. Nas moradias, a descida homóloga foi de 3,8%, menos 43 euros a nível nacional e menos 77 euros no Algarve.

"HÁ QUEBRAS DE 50 POR CENTO"

No Algarve, a principal procura assenta nas casas para segunda habitação e, de acordo com Pascoal Santos, da Remax da Praia da Rocha, "há casos em que a quebra atinge os 50 por cento do preço".

"Há um excesso de oferta", continua este agente imobiliário e, assim, "a descida acaba por afectar, por arrasto, as casas para primeira habitação". Pascoal Santos aconselha, por isso, quem tem dinheiro a comprar casa agora. "Consegue-se muito bons negócios."

Já na Quinta do Lago, Michael Ferrada, da imobiliária Great Algarve Properties, garante que "não se nota muito a descida dos preços". Aqui, "os proprietários das casas não têm urgência em vender", explica. A procura, no entanto, "está parada".

Correio da Manhã em 29-04-2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Venda de casas cai para metade

A venda de casas e de terrenos no Algarve registou uma descida a pique nos primeiros meses do ano, devido à crise. Em comparação com 2008, o volume de negócios caiu em média 50%, e em alguns municípios chegou aos 70%, segundo dados apurados pelo CM junto das principais autarquias da região e que dizem respeito às receitas arrecadadas através do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT).

No município de Loulé, o maior da região, a quebra atingiu os 60%. A Câmara local recebeu menos dez milhões de euros este ano (os valores incluem já quase todo o mês de Abril) devido à crise imobiliária, passando de 16,6 milhões em 2008 para 6,6 milhões em 2009. José Graça, vice--presidente da Câmara, afirma que a descida é um pouco superior à média da região, dado que a crise "começou a fazer-se sentir neste concelho apenas no segundo semestre do ano passado, enquanto em outros municípios isso se verificou logo no primeiro semestre".

Essa é também a justificação para o sucedido em Lagos. A redução de receitas atingiu os 70% nos três primeiros meses: em 2008 foram arrecadados pela autarquia 5,1 milhões de euros e este ano apenas 1,5 milhões. Vila Real de Santo António também teve uma quebra na casa dos 70%, passando de 1,2 milhões nos três primeiros meses de 2008 para 354 mil no corrente ano. Outras autarquias consultadas pela CM apresentam diminuições de receitas entre os 3o% e os 60%.

Sérgio Martins, presidente da direcção do sul da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMID), acredita que, mais do que a redução do número de transacções, esta situação resulta de terem sido vendidos bens de menor valor, existindo "grandes promotores imobiliários que mantêm os seus investimentos em standby". Este responsável refere que se vislumbram alguns sinais de retoma e que há pessoas que querem comprar, "mas a limitação do crédito bancário está a criar dificuldades".

Correio da Manha em 26-04-2009