Venda de casas cai para metadeA venda de casas e de terrenos no Algarve registou uma descida a pique nos primeiros meses do ano, devido à crise. Em comparação com 2008, o volume de negócios caiu em média 50%, e em alguns municípios chegou aos 70%, segundo dados apurados pelo CM junto das principais autarquias da região e que dizem respeito às receitas arrecadadas através do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT).
No município de Loulé, o maior da região, a quebra atingiu os 60%. A Câmara local recebeu menos dez milhões de euros este ano (os valores incluem já quase todo o mês de Abril) devido à crise imobiliária, passando de 16,6 milhões em 2008 para 6,6 milhões em 2009. José Graça, vice--presidente da Câmara, afirma que a descida é um pouco superior à média da região, dado que a crise "começou a fazer-se sentir neste concelho apenas no segundo semestre do ano passado, enquanto em outros municípios isso se verificou logo no primeiro semestre".
Essa é também a justificação para o sucedido em Lagos. A redução de receitas atingiu os 70% nos três primeiros meses: em 2008 foram arrecadados pela autarquia 5,1 milhões de euros e este ano apenas 1,5 milhões. Vila Real de Santo António também teve uma quebra na casa dos 70%, passando de 1,2 milhões nos três primeiros meses de 2008 para 354 mil no corrente ano. Outras autarquias consultadas pela CM apresentam diminuições de receitas entre os 3o% e os 60%.
Sérgio Martins, presidente da direcção do sul da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMID), acredita que, mais do que a redução do número de transacções, esta situação resulta de terem sido vendidos bens de menor valor, existindo "grandes promotores imobiliários que mantêm os seus investimentos em standby". Este responsável refere que se vislumbram alguns sinais de retoma e que há pessoas que querem comprar, "mas a limitação do crédito bancário está a criar dificuldades".
Correio da Manha em 26-04-2009
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