Incumprimento enche leilõesO número de imóveis recuperados pelos bancos, devido ao incumprimento no pagamento das prestações dos empréstimos, está a aumentar de tal forma que a Euroestates passou a fazer leilões de 15 em 15 dias desde o início do ano, contra os 45 dias habitais em 2008. E não se tem dado mal. Ontem encheu uma sala de hotel em Lisboa, onde vendeu meia centena de imóveis por mais de 3,2 milhões de euros.
Um apartamento T1 em Setúbal, que foi a leilão por 30 mil euros, acabou por ser arrematado por 39 500 euros, o imóvel vendido pelo preço mais baixo. Com o mais caro, um T3 no Lumiar, em Lisboa, a diferença entre o preço-base e o vendido também não foi significativa: com o valor de 146 mil euros, foi vendido por 165 mil euros.
Este imóvel, com estacionamento e arrecadação em Lisboa, é um dos exemplos de que começam a aparecer imóveis de qualidade em leilões, sinal da crescente dificuldade da classe média em pagar as prestações dos empréstimos.
"Pela primeira vez, começaram a aparecer imóveis de gama média", explica ao CM o director comercial da Euroestates, uma tendência que se começou a desenhar desde o final de 2008.
A maior parte dos inscritos vai à procura de casa própria mas "já começam a aparecer muitas pessoas para comprar uma secundária", acrescenta Diogo Livério.
A dispersão geográfica é outra das tendências que se tem acentuado desde o ano passado, adianta Diogo Livério, que já tem marcados mais dois leilões no próximo mês, um em Lisboa e outro no Porto.
Dos 66 imóveis levados ontem a leilão, cerca de metade estava localizado fora dos grandes centros urbanos, nomeadamente na Região Oeste.
Estes imóveis são colocados em leilão com descontos no preço de saída de 30% e, nesse sentido, não reflectem a quebra nos valores imobiliários de quem vende directamente. O sinal exigido em leilão é de 1750 euros para imóveis até 150 mil euros.
Correio da Manhã em 02-03-2009
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