Malparado baixa valor das casas
As casas valem actualmente bem menos do que há um ano. Com o mercado imobiliário a absorver os efeitos da crise, nos primeiros três meses do ano as habitações sofreram uma desvalorização de quase 6% face a igual período de 2008. Cada metro quadrado vale hoje menos 70 euros do que em Março do ano passado.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor médio da avaliação bancária caiu 5,8% para os 1149 euros/m2, sendo o Algarve a região mais afectada: o valor das casas desceu 9,9% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior, o equivalente a uma redução de 153 euros no preço do valor do metro quadrado.
Para Jorge Garcia, director comercial da Era Imobiliária, a descida resulta "do ajustamento entre a oferta e a procura". "Mesmo com a crise, a oferta aumentou", explica o responsável, adiantando que "tem entrado no mercado muitas casas provenientes do malparado", a que se juntam "muitos imóveis usados de pessoas que vendem a casa porque sentem dificuldade em pagar os empréstimos". A somar a estes factores, "a procura diminui, resultado do grande condicionamento no acesso ao crédito". "O ajustamento faz com que os preços caiam", explica Jorge Garcia. Em termos práticos, avança, "temos assistido a uma queda de 10% no preço das casas".
Segundo o INE, a redução fez-se sentir tanto no valor médio das moradias como no dos apartamentos. Ao nível nacional, o metro quadrado nos apartamentos passou a valer menos 71 euros e no Algarve menos 167 euros. Nas moradias, a descida homóloga foi de 3,8%, menos 43 euros a nível nacional e menos 77 euros no Algarve.
"HÁ QUEBRAS DE 50 POR CENTO"
No Algarve, a principal procura assenta nas casas para segunda habitação e, de acordo com Pascoal Santos, da Remax da Praia da Rocha, "há casos em que a quebra atinge os 50 por cento do preço".
"Há um excesso de oferta", continua este agente imobiliário e, assim, "a descida acaba por afectar, por arrasto, as casas para primeira habitação". Pascoal Santos aconselha, por isso, quem tem dinheiro a comprar casa agora. "Consegue-se muito bons negócios."
Já na Quinta do Lago, Michael Ferrada, da imobiliária Great Algarve Properties, garante que "não se nota muito a descida dos preços". Aqui, "os proprietários das casas não têm urgência em vender", explica. A procura, no entanto, "está parada".
Correio da Manhã em 29-04-2009
